Nota Mental

Na contramão da minha incapacidade de usar agendas, calendários ou mesmo post-its de forma normal e adequada, tenho um tremendo dom de organização mental para lembrar dos prazos que estipulo para os meus próximos meses. Estipulo prazos para tudo, como a quantidade de centímetros que meu cabelo deverá crescer até agosto, quanto dinheiro deverei ter na poupança até dezembro e até quantos dias o cara que conheci em um sábado qualquer tem para entrar em contato antes que eu resolva perder o interesse de vez (costuma ser na terça-feira). É claro que o fato de eu estipular prazos e metas não quer dizer que meu cabelo realmente crescerá cinco centímetros até agosto, que não gastarei a grana da poupança em um monte de bobagens ou que o cara de sábado realmente entrará em contato até terça, mas é um método de organização necessário pra eu ter uma ilusão de controle.

Felizmente essa mania não funciona quando aplicada a planos a longo prazo, e por isso a pergunta que eu considero mais babaca em uma entrevista de emprego é a manjada “onde você se vê daqui a cinco anos?”. Esses tempos um professor da pós-graduação sugeriu um exercício em duplas que consistia em entrevistas rápidas com algum colega, para que ele nos contasse o que o motivava nessa vida. Eu não tenho uma resposta pronta para isso, e disse pra menina que me entrevistou que eu não fazia planos pra cinco, dez, quinze anos porque gosto dessa coisa da imprevisibilidade. Ela ficou muito surpresa, o que me deixou surpresa também – aparentemente todo mundo tem um plano a longo prazo . Sei lá, eu desisti de colocar um DIU porque acho essa coisa de contracepção garantida por cinco anos um pouco exagerada. Eu terei 28 anos em cinco anos, quem me garante que eu não vá mudar de ideia sobre bebês antes disso?

Lendo textos antigos de minha autoria e vendo álbuns de fotografias, constatei que eu escrevia melhor em 2010 do que escrevo hoje, que em 2006 eu tinha um ritmo de leitura que considero ideal e que tive o melhor cabelo da minha vida em 2011. Isso tem me dado ideias para um novo esquema de organização, no qual eu usaria metas já atingidas em algum ponto da vida como referência. Talvez seja um método mais eficiente, realista e seguro de garantir que meus planos a curto prazo se concretizem. 

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