Pagar peitinho

Texto de Julliana Bauer / Ilustração de Sarah Bauer

peitos

Ao perceber que já estava com nome e fama consolidados no design, Stefan Sagmeister resolveu chamar Jessica Walsh para ser sua sócia. Para realizar o anúncio sobre a parceria, os dois apareceram nus em algumas fotos e as anexaram com o release para a imprensa. Ele, só de meias. Ela, sobre uma pilha de revistas. Veja bem, não se trata de uma nudez sensual, de protesto ou romântica a la John&Yoko. É uma foto que mostra os designers peladões no meio do escritório – sem biquinhos, sem mãozinha na cintura, sem bundinha empinada. Era só vontade de ficar pelado mesmo. Não sou lá muito vivida pra poder dar conselhos profissionais, mas se alguém algum dia me pedir, a dica é: escolha uma profissão que te permita ficar nu.

Não dá pra divulgar uma foto pelada e continuar sendo levada a sério quando se é jornalista. Sagmeister, por sua vez, fica pelado quando quer. Ele tem uma quedinha pela autoexposição e já tinha ficado pelado várias vezes antes de chamar a bonitinha pra brincadeira – ficou nu até mesmo quando ainda não era famosão e abriu seu primeiro estúdio, há vinte anos. Para chamar a galera para uma palestra, anos mais tarde, ele entalhou um pôster com as informações completas no próprio peito com uma lâmina.

Uma das frases mais coerentes sobre nudez que já ouvi veio de uma fala de Kevin Spacey em Beleza Americana. Seu personagem, um tiozão babão louco pra atrair as amigas da filha adolescente, quer se exercitar para “ficar bonito pelado”. Não defendo padrões de beleza, e a julgar pelas muitas fotos do Sagmeister nu que já vi, ele também não. Mas se as academias de ginástica fossem mais espertas, largariam aquela baboseira toda sobre saúde e condicionamento físico e usariam este discurso a seu favor: malhe para se sentir mais bonito pelado. É o que mais motiva as pessoas mesmo. A revista Nova já usa esse argumento há décadas e está fora dos boatos sobre cortes da editora Abril.

Uma última dica sem nenhum conhecimento de causa: se você quer ficar pelada e tua profissão não permite, migre para uma profissão relacionada. Se uma jornalista seria condenada por pagar peitinho na internet, uma escritora, por sua vez, seria tida como irreverente e corajosa.

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