Sem filtros

Por Julliana Bauer

Levar um tombo em público e tomar um pé na bunda são as duas piores sensações do mundo. A terceira pior é o arrependimento por não ter feito algo. Deixe de dar uma resposta bem dada quando alguém te ofender em alguma discussão e você também será atormentado pelo “e se…” por um bom par de meses. Quando o “e se…” é aplicado a situações profissionais e amorosas, a tortura posterior é ainda maior. Conheci uma menina em um curso de extensão que não sofre desse mal. Digo pra ela que ela é minha versão superlativa – tudo que eu apenas idealizo fazer e dizer, ela vai lá, faz e diz de uma forma poética e escandalosa. Larga empregos, declara amores, manda cartas românticas e as pede de volta, caso o sujeito deixe de merecê-las por qualquer que seja o motivo.

Um dos grandes problemas das relações interpessoais é nossa maldita insistência em usar eufemismos. Temos que parar com essa mania bárbara de poupar chefes, subordinados e namorados com frases cafonas que mascaram a realidade. O clássico e-mail de desligamento de uma empresa que é enviado aos colegas e sempre contém o termo “em busca de novos desafios” poderia muito bem ser substituído por um “me chamaram pra ganhar mais e trabalhar menos em outra empresa” sem sofrer perda de sentido. Todos querem trabalhar menos e ganhar mais, seu ex-chefe não vai ficar ofendido – vai ficar com inveja.

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