Meta para a vida: hotel quatro estrelas

Texto por Julliana Bauer / Ilustração por Sarah Bauer

hoteis

O momento mais mágico no planejamento de uma viagem é a escolha do hotel. Após passar um tempo olhando aqueles que estão dentro da minha realidade financeira jornalística, me permito sonhar um pouco e dar uma olhada naqueles cujas diárias custam mais do que meu aparelho celular. Os chuveiros – ah, os chuveiros, tão modernos e com capacidade térmica de te cozinhar viva, os lençóis de bilhões de fios que parecem ser passados por freiras enclausuradas e o frigobar cheio de coisas superinflacionadas que eu jamais ousar pegar nem se tivesse a grana pra ficar num hotel com diárias mais caras que meu smartphone.

Embora eu tente arduamente passar a imagem de uma pessoa razoavelmente desapegada, eu preciso de banheiros bonitos. Troco uma fachada de hotel charmosa por um banheiro branquinho  e amplo o suficiente para eu dar uma cambalhota lá dentro – não que eu possua esse tipo de habilidade ou flexibilidade. Um de meus parâmetros de sucesso financeiro é aquele tipo de gente que dispensa o quarto de hóspedes de um parente quando viaja e opta por ficar em hotel. Aquele papo de que ficar em casa de alguém da família é mais confortável é uma mentira tanto do anfitrião quanto do hóspede. Ficar em hotel é sempre melhor.

Nunca entendi direito a questão das estrelas de um hotel. É como aqueles resultados do Critério Brasil, que por um lavabo e uma torradeira, te separam de uma classe social mais alta.

Pare pra contar o número de músicas e filmes  que você conhece que têm hotéis como temática.  Talvez a soma final revele um número menor do que aqueles com referências a road trips ou garçonetes bonitas e frustradas, mas certamente tem o suficiente pra gente pensar sobre o impacto que pagar por um quarto onde centenas de pessoas já dormiram antes de nós causa em nossas vidas.

Lembro de todos os hotéis em que fiquei na vida – pelo menos dos meus dez anos em diante. É que  ficar em hotel sempre envolve uma situação inusitada, fora as mordomias de ter sua cama arrumada e sabonete trocado diariamente. Trabalhei por pouco tempo como assessora de imprensa em uma agência grande e meu cliente preferido era uma rede de hotéis. Eu era responsável pela revistinha interna deles, o que exigia que eu entrevistasse funcionários como recepcionistas e camareiras semanalmente. Dentre as muitas histórias bizarras que eles me contavam, as melhores envolviam peladões correndo descontroladamente pelos corredores e assombrações que viravam hóspedes rotineiros.  Nada disso pôde ir pra revistinha do hotel, diga-se de passagem. Uma pena. Teria sido minha melhor contribuição para a humanidade como assessora de imprensa.

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