No entiendo

Texto: Julliana Bauer / Ilustração: Sarah Bauer

 

espanhol

 

Estudei espanhol por um ano e meio, o que definitivamente não foi suficiente para que eu me tornasse fluente na língua, mas ao menos me ajuda a me virar em viagens internacionais. O problema de ter o curso incompleto é que, para mim, a língua se tornou de alguma forma recarregável, quase como se eu precisasse estocar meu espanhol por alguns dias antes de usá-lo. Em uma viagem turística simples, já sei que meu espanhol só dura três dias e meio. No quarto dia, começo a ter dificuldade em conjugar verbos. No quinto, passo a falar um portunhol vergonhoso e involuntário, quando não chego a misturar termos em espanhol com palavras (erradas) em um italiano que provavelmente aprendi em alguma novela dos anos 90 do Benedito Ruy Barbosa. No sexto dia, já não entendo mais o que os funcionários de restaurantes e lojas me dizem e respondo a todas as abordagens com um “más despacio, por favor”, ou com um preguiçoso “no entiendo”. Quando já gastei todos os meus conhecimentos da língua, lá pelo sétimo dia, e já não consigo mais nem perguntar a localização do banheiro, flagro-me desistindo do espanhol da forma mais patética possível: “in english, please?

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