O louco envolvente

Texto por Julliana Bauer / Ilustração por Sarah Bauer

 

 

O encontro com o louco envolvente é um momento da vida para o qual mulher nenhuma está preparada, mas pelo qual um bom tanto delas passa, embora pouco se fale a respeito. Tenho motivos para acreditar que este encontro normalmente aconteça entre os 20 e 26 anos para aquelas que não se casam, sei lá, aos 22. É difícil saber lidar com o louco envolvente, porque ele é um tipão tão, mas tão estranho que nunca foi catalogado pela revista Nova.

Acho que uma das características mais chatas dos loucos envolventes é que eles não são nadinha ligados em tecnologia, e aquele Motorola StarTAC que eles usam desde 2005 não comporta Whatsapp, então eles não entendem a urgência de uma SMS feminina.

O louco envolvente nunca é careca – ele sempre tem um cabelo volumoso e bagunçado, não dá pra ser louco envolvente de cabeça raspada. Eles também nunca têm uma beleza das mais óbvias, até porque não dá pra ter uma beleza óbvia quando se tem os cabelos sempre bagunçados, mas até que conseguem ser atraentes de uma maneira bem particular.

Esse tipo também costuma ter um veículo alternativo de transporte, como bicicleta, furgão ou, por que não, uma lambreta. Quase sempre está envolvido em algum tipo de atividade artística – ele pode escrever, desenhar, esculpir seios em argila e coisas do tipo. Nem sempre ele executa bem essas atividades artísticas, mas isso não vem ao caso.

É normal sentir medo do louco envolvente e é muito, muito importante não confundi-lo com os loucos convencionais. O envolvente nunca é violento, ele inclusive é meio pacífico demais, de forma meio irritante. Ele não vai te chamar pra sair através do chat do Facebook, porque quando um louco envolvente se dá ao luxo de ter um perfil no Facebook, ele só o acessa esporadicamente e de uma maneira cafona que dá um pouco de vergonha alheia – ele não é chegado em tecnologias, lembra?

O que torna o louco envolvente louco é o fato de que ele faz questão de ser misterioso de uma forma bem mais assustadora do que romântica. O que o torna envolvente é que, por mais que ele seja assustador, ele sempre te convence a fazer coisas que você provavelmente não faria – tipo andar no pedalinho do Passeio Público numa tarde de terça-feira.

O mais importante a ser dito sobre o louco envolvente é que ele vai embora tão rápido quanto chega, e que isso provavelmente acontece para o bem.

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