Babacas de aeroporto

Você pode ser gente boa, filantropo, ser do tipo que monta cesta de páscoa pra criança pobre e que doa trintão pro Médicos sem Fronteiras todo mês; pode ser praticante de yoga, curtir cromoterapia e ter uma alimentação vegana natureba anti-crueldade, mas você com certeza se transforma em um mala babaca escroto no minuto em que pisa em um aeroporto. Todo mundo vira, apresentadora infantil evangélica vira e a Angelina Jolie também.

Você pode um tipo de babaca menos perigoso, como os babacas espaçosos que espalham as cinco malas ao longo da fila de embarque e não as movem um centímetro sequer nem quando a mocinha da CVC passa correndo pra buscar algum passageiro idoso que está prestes a perder o voo pra alguma excursão de águas termais. Ou talvez você seja o babaca esfomeado que fica puto que aquele voo de 45 minutos não serve uma refeição suntuosa e que reclama do preço do Doritos nos voos da Gol. Esses tipos de babacas até que estão de boa, já que seu comportamento não colocam em risco a sanidade mental dos demais passageiros.

Talvez você seja um dos chatos meio-termo, que estão voltando cansados da Disney em grupos de oito e ficam mal humorados tipo criança quando está com sono e se espalham cada um em quatro cadeiras da sala de embarque, usando orelhas do Mickey e tirando os sapatos chulezentos enquanto tem grávida e velhinha esperando de pé. É chato porque essas pessoas normalmente estão voltando de viagens de férias em que comeram todo tipo de porcaria doce e gastaram seis salários mínimos em cacarecos do Pateta, mas elas agem o tempo todo como se fossem grandes injustiçadas por terem que passar por um aeroporto, como os demais mortais. Sair de um castelo da Disney pra realidade de um aeroporto aparentemente é osso, mas eu não saberia confirmar, nunca fui pra Disney.

Já tive o azar de voar com os dois piores tipo de pessoas escrotas de aeroportos: o tipo que trata mal o comissário de bordo e o tipo que procura um motivo bizarro pra armar escândalo em uma tentativa (sempre frustrada) de ser realocado para a classe executiva. Tratar mal comissários é falha de caráter, mas choramingar executiva é o ápice da vergonha alheia. Nunca viajei de executiva, mas já viajei em companhias que obrigam a galera da classe econômica a passar por ela pra ver o que está perdendo antes de procurar seu assento pobrinho lá atrás e, na boa, a classe executiva da maioria das companhias aéreas não perde em nada pro ônibus leito de qualquer rodô desse Brasilzão. O ônibus leito deve até ser mais agradável, já que rola um bolinho Ana Maria que vem em uma caixinha de lanchinhos que parece de Mc Lanche Feliz.

É um desafio pessoal de cada um conseguir exercer a autocrítica pra descobrir que tipo de babaca de aeroporto nós somos, mas já me identifiquei em um tipo peculiar que fica chateadíssima quando o sorvete que a aeromoça está servindo acaba três fileiras antes da minha. Como assim “Ice cream or pretzels???” Querida, TODO MUNDO quer sorvete! Sei que estou no caminho de me firmar como uma babaca de aeroporto que choraminga por causa de comida porque, enquanto escrevo esse texto, meu voo foi cancelado, e estou há cinco horas no aeroporto de Goiânia, putíssima por ter pago sete reais em um toddynho.

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